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Projeto piloto da Prefeitura de Macapá inclui história e cultura afro-macapaense em escolas municipais

O programa ‘Afroamapaensises nas Escolas’ foi lançado nesta quarta-feira (6). Inicialmente quatro escolas vão abordar questões étnico-raciais e valorizar a cultura marabaixeira.

Da Redação

A Prefeitura de Macapá lançou nesta quarta-feira (6) o programa ‘Afroamapaensises nas Escolas’, que insere na matriz curricular dos estudantes da rede municipal a cultura e tradição dos povos tradicionais do Amapá.

O programa é uma iniciativa da Secretaria Municipal de Mobilização e Participação Popular (SMMPP), a partir da verificação da necessidade da implementação pedagógica de ações que tratem das questões étnico-raciais dentro das salas de aula.

“Esta não é uma iniciativa de gabinete, ou de uma só pessoa. A comunidade marabaixeira foi ouvida para acrescentar suas visões. Fico muito feliz de participar de mais um evento como esse que dá destaque à educação, dando a devida importância ao marabaixo e aos povos tradicionais”, lembrou o secretário municipal de Educação, Edielson Silva.

Ainda segundo o gestor, o marabaixo ser visto na perspectiva de política pública, além da música e da dança, de uma maneira interdisciplinar, é um marco histórico-cultural para Macapá, pois a manifestação está na língua portuguesa e literatura, nos versos dos ladrões.

 

“Também está na matemática, pois ela é necessária para fazer a montagem dos tambores. O marabaixo também é geografia, pois nasce em um pedaço de terra que é Mazagão, o Curiaú, o Laguinho e outros pedaços de chão onde está presente. Essa expressão viva da nossa história tem muito a acrescentar na educação das nossas crianças”, finalizou o secretário.

O lançamento ocorreu no auditório da sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e contou ainda com a presença da diretora-presidente do Instituto Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Improir), Maria Carolina, dos vereadores Alexandre Azevedo e Paulo Nery, além de outros membros do Executivo Municipal e representantes de grupos e comunidades quilombolas do município.

“Este foi um projeto pensado em coesão, no qual a secretária Dra. Rayssa Furlan nos provocou a pensar numa política pública que inserisse o marabaixo como dispositivo pedagógico dentro das escolas municipais. E agora conseguimos dar esse pontapé inicial para que esse movimento de resistência adentrasse o ambiente escolar”, explicou a titular do Improir, Maria Carolina. As atividades serão executadas pela Secretaria Municipal de Educação (Semed), em parceria com o Improir. O foco será a valorização do Marabaixo, manifestação cultural e religiosa muito presente na história dos povos tradicionais afro-amapaenses.

 

“Esta é uma cerimônia importante e histórica, pois temos uma Gestão municipal que valoriza o que é nosso e o que o nosso povo representa. Esse projeto vem com o intuito de quebrar padigmas, quebrar preconceitos e valorizar nossa cultura”, salientou o vereador Alexandre Azevedo.

A iniciativa vai ao encontro da Lei Federal 10.639 de 2003, que estabelece o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas do país.

“Gostaria muito de agradecer a coragem do prefeito Dr. Furlan em apoiar essa cultura que é tão discriminada. A partir de agora os professores terão a oportunidade de saber que se trata de uma manifestação cultural, assim como o batuque, a zimba e o çairé. O aluno aprenderá com o professor e levará para a família, e desta forma o marabaixo vai se fortalecendo. É esse nosso objetivo enquanto marabaixeiros”, celebrou a representante do Comitê Gestor do Marabaixo, Daniele Ramos.

Nesta fase inicial, quatro escolas municipais receberão o programa, sendo elas as Escolas Municipais de Ensino Fundamental Joanna Santos, José Leoves, Aracy Nascimento e Raimunda de Lima Guedes.

Implementação da Lei 10.639 de 2003

No ano de 2003, um importante avanço na luta antirracista no país foi concretizado: a implementação da lei 10.639. A legislação tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, sendo elas públicas ou particulares, desde o ensino fundamental até o ensino médio. Dezoito anos após a promulgação, a implementação da lei ainda apresenta desafios.

Formações

 

Para a sua efetivação, o projeto contempla alguns encontros formativos, abordando diversos temas relacionados a equidade e a valorização dos povos tradicionais de Macapá. Os professores das escolas participantes devem procurar a Divisão da Diversidade da Semed para ter acesso aos treinamentos.

Dia 07 de outubro de 2021, às 18h30, no auditório do Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (Senac).
Módulo 1: Cultura e Religiosidade afroindígena na construção das Afroamapaensises
Palestrante Prof. Me. Moises dos Prazeres
Módulo 2: Racismo e Antirracismo no Ens. Fundamental 1
Palestrante Profª. Dra. Piedade Videira

Dia 08 de outubro de 2021, às 18h, no Google Meet.
Módulo 3: Legislação Antirracista
Palestrante Profº Dr. Bruno Marcelo Costa

Dia 09 de outubro de 2021, às 11h, nas escolas participantes.
Módulo 4: Os Marabaixeiros na Escola
Ação com os Grupos de Marabaixo

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