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Marilia Góes acredita no protagonismo juvenil para reforçar o combate à pobreza menstrual no Amapá

A pobreza menstrual é caracterizada pela falta de acesso à educação menstrual, produtos e serviços adequados para a higiene íntima durante o ciclo.

Da Redação

Em roda de conversa nesta quinta-feira, 1º de junho, a deputada estadual Marilia Góes (PDT) dialogou com monitores e bolsistas do programa Amapá Jovem sobre: dignidade menstrual e pobreza menstrual.

“Nosso objetivo é democratizar o diálogo sobre o ciclo menstrual, como algo da natureza humana. Quebrar tabus. Reforçar a necessidade de todas as pessoas que menstruam terem DIGNIDADE MENSTRUAL, acesso a ítens e serviços fundamentais à higiene íntima, como o básico: absorvente higiênico”, frisou a parlamentar.

Uma das 15 pessoas participantes da roda de conversa foi a jovem Arianne Ladislau, de 20 anos. Na ocasião, ela relatou o ocorrido com uma amiga, que reforça que a pobreza menstrual é questão de saúde pública. “Em meio à pandemia, com os pais desempregados, uma amiga não tinha como comprar absorvente. Com o passar dos meses, ela adoeceu. Ao fazer exames, descobriu que desenvolveu candidíase na região íntima. Provavelmente devido à inadequada higiene”, compartilhou a jovem.

A pobreza menstrual é caracterizada pela falta de acesso à educação menstrual, produtos e serviços adequados para a higiene íntima durante o ciclo. As vítimas vivem sem acesso a água tratada, banheiro minimamente estruturado, papel higiênico ou absorvente. São adolescentes, jovens e adultas em vulnerabilidade socioeconômica, pessoas em situação de rua, mulheres privadas de liberdade, mulheres cis, homens trans e pessoas não-binárias com útero.

Durante a roda de conversa, o Secretário de Estado da Juventude, Pedro Filé, anunciou a implantação de uma comissão para planejar ações de um projeto piloto em Macapá, que vai levar orientações, formação de multiplicadores e arrecadação de absorventes para doação.

COMBATE NO AMAPÁ

Requerimento nº 0676/21 – Dep. Marilia Góes

Solicita à Secretaria de Estado da Educação (Seed), a inclusão de absorvente íntimo na cesta de alimentos do Kit Merenda em Casa.

Requerimento nº 0678/21 – Dep. Marilia Góes

Solicita à Secretaria de Estado da Inclusão e Mobilização Social (Sims), que inclua o absorvente higiênico na cesta de alimentos do Programa Comida em Casa.

Requerimento nº 0897/21 – Dep. Marilia Góes

Solicita à Secretaria Extraordinária de Políticas Para a Juventude (Sejuv), que promova ações educativas, sociais e de conscientização aos beneficiários do Amapá Jovem, para a aceitação do ciclo menstrual como um processo natural, e para combater a pobreza menstrual.

Requerimento nº 1000/21 – Dep. Marilia Góes

Requer ao governador do Estado do Amapá, estudo de viabilidade para disponibilizar nas escolas públicas, unidades de saúde e instituições, absorvente higiênico para pessoas em situação de necessidade e vulnerabilidade social.

DIMENSÃO DO PROBLEMA

A Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu em 2014 que o direito à higiene menstrual é questão de saúde pública e de dignidade humana.

No Brasil, 7,2 milhões de mulheres vivem em situação de extrema pobreza, conforme a pesquisa Síntese de Indicadores Sociais (SIS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A maioria delas está em idade reprodutiva e menstrua. Sem ter dinheiro para comprar absorvente, acabam usando retalhos de pano, papel higiênico e outros materiais inadequados para conter o fluxo, colocando sua saúde íntima em risco.

EVASÃO ESCOLAR

Cerca de 4 milhões de meninas em idade escolar não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas, de acordo com o estudo “Pobreza Menstrual no Brasil: desigualdade e violações de direitos”, realizado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Uma em cada quatro meninas em idade escolar já faltou à escola durante o ciclo menstrual, por não ter dinheiro para comprar absorventes. Mais de 45% delas acredita que isso prejudicou seu rendimento escolar, é o que aponta uma pesquisa realizada pela marca de absorventes Always, em parceria com o Toluna (site de pesquisas remuneradas).

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