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White Martins afirma não ter como atender portadores de covid internados em UBSs

Empresa diz que as unidades não possuem a infraestrutura mínima necessária e rede de gases canalizada.

Da Redação

Através de documento assinado por Wilton Barros, Gerente Executivo de Negócio, a White Martins Gases Industriais do Norte Ltda praticamente pede que o município de Macapá deixe de instalar pontos de oxigênio nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). O documento, com carimbo de “urgente” é endereçado ao governador Waldez Góes (PDT), ao prefeito Antônio Furlan (Cidadania), aos secretários de Saúde Juan Mendes (Sesa) e Karlene Lamberg (Semsa) e à Promotoria de Saúde do estado do Amapá.

A White Martins diz que foi com surpresa e grande preocupação que tomou conhecimento, na quinta-feira (18), que a Secretaria de Saúde do município de Macapá tomou a decisão exclusiva de iniciar o atendimento de pacientes portadores da covid-19 nas Unidades Mistas de Saúde do Município de Macapá, o que já fora objeto de comunicado emitido na sexta-feira (19), sem retorno dos gestores respectivos.

De acordo com a White Martins, a decisão é de elevado risco, uma vez que tomada sem qualquer avaliação prévia por parte dos Administradores Públicos sobre as condições técnicas para realizar o atendimento em um cenário grave, onde as unidades não possuem a infraestrutura mínima necessária e rede de gases canalizada indispensável para garantir um suprimento dessa magnitude, considerando que o paciente portador da covid-19 consome mais oxigênio do que os atingidos pelas demais enfermidades. E, pior, sem qualquer notificação à fornecedora com antecedência mínima de segurança, de maneira a viabilizar uma anál ise prévia e eventual contingência, em um cenário logístico que depende de deslocamento marítimo para transporte de produto da unidade produtora.

Como fornecedora de um insumo, mesmo com todos os seus esforços no cumprimento de seu papel social, a White Martins afirma que depende, exclusivamente, de ações que são dos gestores públicos, e por isso toma a liberdade de dar conhecimento às demais autoridades envolvidas, solicitando sua especial e imediata intervenção, diante da gravidade da demanda. Isso porque a medida representou um incremento de, aproximadamente, 223% na demanda usual do cliente no período de uma semana, o que comprometeu o atendimento de todo o estado do Amapá, que trabalha, hoje, por conta dessa decisão isolada, com sério risco de colapso.

A empresa informa que no sábado (20), todo o estoque do insumo na modalidade gasosa foi voltado ao atendimento destas Unidades (UBSs), em detrimento dos demais estabelecimentos de saúde.
“Chamamos atenção, assim, que, ao se adotar essa prática, haverá comprometimento do abastecimento em outras localidades. Mais uma vez sinalizamos que os pacientes portadores de covid 19 devem ser tratados somente em unidades que possuem rede de gases canalizada, que não é o caso das unidades mistas, onde o atendimento é feito pela via gasosa (cilindros), onde há elevado risco, uma vez que esses pacientes costumam consumir um volume maior de oxigênio em comparação com os portadores de outras enfermidades e o ativo (cilindro) possui capacidade de estocagem limitada”, diz trecho do comunicado.

Cilindros

Segundo a White Martins, manter o atendimento desses pacientes por cilindros pode ocasionar, inclusive, prejuízos à funcionalidade de equipamentos de ventilação pulmonar, e colapso, o que, sem dúvida, é pretensão evitar. O agravamento da pandemia já é uma dura e concreta realidade para diversos estados da Federação e, muito embora os esforços, diante do aumento de demanda e da capacidade limitada dos recursos da empresa, os ativos já estão comprometidos com o volume atual dos contratos firmados com os clientes das redes pública e privada.

Ao final, a White Martins solicita das autoridades envolvidas na notificação a imediata intervenção, para que o atendimento dos pacientes portadores da covid-19 seja feito somente por unidades de saúde com rede de gases canalizadas, transferindo de imediato os pacientes já internados para esse tipo de tratamento e que a Secretaria Municipal de Saúde de Macapá se abstenha de admitir novas internações com esta finalidade nessas localidades onde não há preparo adequado para o fornecimento de oxigênio.
“Vimos, assim, informar que, infelizmente, a White Martins não tem condições técnicas e de logística para assumir o atendimento da forma em que se apresenta, ou seja, com os referidos acréscimos, diante do seu compromisso com a segurança, confiabilidade e melhor atendimento da população sob pena de colocar em perigo a vida das pessoas.

Como vimos reiterando em todas as nossas manifestações, recomendamos fortemente que mantenham o monitoramento constante da demanda, sinalizando formalmente, de maneira prévia e imediata, qualquer incremento, real ou potencial, do volume de gases, para que seja verificada a possibilidade de adoção de um plano emergencial de atendimento, dentro do limite da capacidade de produção e dos termos de cada contrato firmado. Alertamos que a inobservância de tais cuidados, de responsabilidade da administração hospitalar, pode acarretar eventuais riscos e potenciais consequências para o contrato e segurança da operação, não cabendo qualquer imputação à White Martins. Por fim, uma vez mais solicitamos que seja dada prioridade na vacinação ao grupo de operadores de cilindros e motoristas que fazem o abastecimento de oxigênio medicinal às unidades de saúde, já que temos observado, por estarem expostos ao ambiente hospitalar, um elevado grau de contaminação dos mesmos, o que agrava ainda mais a situação. Trata-se de mão de obra qualificada, cuja reposição demanda tempo e treinamento. Uma vez acolhido esse pleito, prontamente passaremos a lista das pessoas em questão”, finaliza.

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