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Jornal The Washington Post repercute fala de Waldez na conferência do clima

O jornal norte-americano The New York Post repercutiu os posicionamentos do governador do Amapá, Waldez Góes, durante a conferência do clima na Espanha, a COP 25. A reportagem assinada pela jornalista Diane Jeantet, correspondente para o Brasil da agência The Associated Press,  a representatividade de ser o presidente do Consórcio da Amazônia Legal avalizam o discurso de Góes para reivindicar o aporte de capital estrangeiro para o Fundo Amazônia do Brasil, criado em 2008, no valor de 500 milhões de dólares.

Segue a íntegra da reportagem assinada por Diane Jeantet

O fundo é para receber doações de projetos que ajudam a conter o desmatamento. Mas a Noruega discorda das mudanças que o ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, propôs para o fundo, e o dinheiro permanece “congelado” até um possível acordo, disse o assessor de imprensa do Ministério do Meio Ambiente da Noruega, Jo Randen, à Associated Press.

Mas os nove estados da Amazônia brasileira esperam receber esse dinheiro diretamente se não for alcançado um acordo federal, segundo o governador do Amapá, Waldez Góes, que se encontrou com o ministro do Clima e Meio Ambiente da Noruega, Ola Elvestuen, na quarta-feira na conferência climática da ONU. “Se eles (os governos nacionais) não conseguem resolver sua discordância, precisam pensar em mecanismos como o nosso”, disse Góes, que lidera o consórcio de estados, em entrevista por telefone, de Madri.

As conversas com a Noruega fazem parte de um esforço mais amplo dos estados amazônicos para desenvolver contato direto com os países doadores em um momento em que a disposição do governo do presidente Jair Bolsonaro de combater o desmatamento enfrenta um crescente ceticismo internacional.

Além da Noruega, os governadores também conversaram com representantes da Alemanha, que este ano suspenderam o financiamento ambiental, além de França, Reino Unido e EUA, disse Góes.

Um relatório anual do Instituto de Pesquisa Espacial do Brasil, divulgado no mês passado, mostrou que o desmatamento na Amazônia estava no seu nível mais alto em mais de uma década. O desmatamento na região aumentou quase 30% no ano até julho, em comparação com o período de 12 meses.

Os líderes estrangeiros também têm desaprovado os ataques repetidos do presidente Jair Bolsonaro e seu governo de extrema direita a acadêmicos, especialistas e organizações sem fins lucrativos que trabalham para proteger o meio ambiente.

Bolsonaro, um ex-capitão do exército, sugeriu, sem oferecer nenhuma evidência, que as organizações sem fins lucrativos estavam por trás de alguns dos incêndios que aconteceram na Amazônia em julho e agosto, como um meio de fazer seu governo parecer ruim. Mais tarde, ele alegou que o ator norte-americano Leonardo DiCaprio, ao financiar certas organizações sem fins lucrativos, foi parcialmente responsável pelas chamas. DiCaprio negou o financiamento desses grupos, mas expressou solidariedade a eles.

Em abril, o presidente emitiu um decreto presidencial que dissolveu dezenas de comitês, nos quais organizações sem fins lucrativos, especialistas e membros da sociedade civil haviam desempenhado um papel significativo. Um deles era o Comitê de Orientação do Fundo Amazônia, que havia estabelecido critérios para seleção de projetos e alocação de fundos.

Um dos pontos-chave das negociações entre os dois países para desbloquear os US $ 500 milhões em doações é a organização de um novo comitê de governo, com o ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, pressionando por mais supervisão do governo.

Os governadores dos estados da Amazônia procuraram se distanciar das críticas e comentários incendiários do governo, apresentando-se como “defensores incondicionais” do fundo e do meio ambiente.

“Tentamos fugir dessa agenda negativa”, disse Góes. Enquanto ele espera que as autoridades brasileiras encontrem uma solução para a atual paralisia do fundo, ele disse que os estados da Amazônia devem estar prontos para avançar e oferecer uma alternativa.

A ideia de um consórcio de estados amazônicos tem dois anos, desde antes da eleição de Bolsonaro, mas seu status legal e capacidade de receber financiamento estrangeiro sem a aprovação federal foram estabelecidos este ano.

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