Fonoaudiólogo explica processo de reabilitação de paciente graves de Covid-19

Alan Malcher concede entrevista no rádio e explica como se dá o processo de reabilitar doentes recuperados a respirar, falar e também se alimentar.

Cleber Barbosa, da Redação

O profissional de saúde Alan Malcher, especialista em fonoaudiologia, falou sobre o aplicativo de fala que ele ajudou a desenvolver para o tratamento de pacientes com Covid que ficaram com algum tipo de sequela após a internação e convalescênça da doença, especialmente ligadas ao aparelho respiratório e a fala. Ele foi entrevistado pelo programa Café com Notícia, na rádio Diário FM (90,9) e deu mais detalhes das terapias.

Segundo o entrevistado, a parte mais afetada do organismo de um paciente acometido pelo novo Coronavírus é mesmo a pulmonar, pois o agravamento da doença se dá num processo inflamatório das vias aéreas. “E a função primordial do ser humano é a respiração, em seguida a deglutição, que é a comida, a alimentação, para depois vir a parte da comunicação humana, então o paciente acometido da Covid tende a rebaixar esse processo respiratório, tanto para a inspiração quanto a expiração, que ficam afetados”, explicou.

Os fisioterapeutas costumam realizar os trabalhos terapêuticos para as funções respiratórias, cabendo aos profissionais da fonoaudiologia agir na chamada pneumofonoarticulação, pois quando os falantes precisam usar da via verbal, a oralidade, há um tempo para falar, puxar o ar, soltar o ar e se comunicar. “A mesma coisa acontece quando estamos comendo, então esse tempo e esse reflexo ficam afetados”, completa o fonoaudiólogo.

Outro aspecto destacado por ele é o fato de que esses profissionais responsáveis pela parte de cabeça e pescoço, a utilização de sondas nasogástricas, em que toda alimentação do paciente entre pelo nariz e vai direto para o estômago, é interrompido o processo de fala e também de deglutição, por isso a necessidade de auxiliar esses paciente no trabalho de reaprender a utilizar esses órgãos de novo para dinamicamente se alimentar, falar e respirar.

Esse trabalho é chamado tecnicamente de estrutura estomatognática, que envolve todas essas funções afetadas pela perda também do equilíbrio motor. “O que pode provocar uma bronco aspiração, que é quando o alimento ou o líquido vai parar nos pulmões, o que pode gerar um dano grave podendo levar o paciente a óbito, então a gente trabalha com eles deste a UTI e acompanha após a internação também, dada a necessidade de reabilita-lo nesse processo do mecanismo motor”, completou.

O diferencial do aplicativo de fala – o Falante –, do pesquisador amapaense, é ser disponibilizado gratuitamente, tanto para as plataformas IOS como Android, com excelentes resultados que já lhe valeram convites para ajudar no desenvolvimento dessa tecnologia até fora do estado, como o Hospital Sírio Libanês.

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