Alap comemora Dia Mundial da África durante a Semana Amapá África Amazônica

A II Semana Amapá África Amazônica 2023, realizada de 19 a 25 de maio, reuniu autoridades amapaenses, africanas e guianenses.

Da Redação

Com o tema: ”Escrevendo a Presença Negra no Amapá” A II Semana Amapá África Amazônica 2023, realizada de 19 a 25 de maio, reuniu autoridades amapaenses, africanas e guianenses no plenário da Assembleia Legislativa do Amapá durante sessão solene na manhã desta segunda-feira, 22.

A celebração atende ao requerimento do deputado estadual e 1º vice-presidente da mesa diretora da Alap, Jaime Perez e tem como objetivo fortalecer o movimento negro, assim como divulgar a cultura africana em nossos dias buscando ainda reforçar a luta contra a desigualdade racial e o preconceito de etnia. ”A Assembleia Legislativa sempre estará de braços abertos para todos os povos e defender nossa raça e nossa cultura é de extrema importância. Infelizmente em pleno século XXI ainda vivemos um racismo muito forte no mundo todo e que atinge a todos, independentemente de classe social. Por esse motivo é fundamental essa união em busca de fortalecer o combate a qualquer tipo de preconceito”, afirmou o parlamentar.

O vereador Dudu Tavares(PDT), autor do Projeto de Lei que instituiu a Semana da África no município de Macapá, destacou a importância do entrelaçamento de culturas como meio de resistência e de combate à discriminação racial: ”Somos 73% negros e, ou que se declaram negros no estado. Falar do Congo, falar da África é também falar de toda uma ancestralidade, daqueles que vieram antes de nós; é relembrar a cultura, a arte, a dança, é relembrar todo um painel histórico que vemos ser destruído no dia a dia com a cultura do racismo evoluindo no Brasil e no mundo, será a partir de discussões como essa e como representantes dos poderes que, irmanados numa luta única, combateremos a desigualdade racial e toda forma de preconceito”, ressaltou ele.

A ex-deputada estadual Cristina Almeida, é autora do Projeto de Lei que criou em todo o estado do Amapá, a Semana da África, em alusão ao dia Internacional da África e, para ela que sempre militou a favor das causas negras, o objetivo maior foi efetivar, perpetuar na história do Amapá esses laços que não podem jamais ser esquecidos. ”Não podemos esquecer de onde viemos, além de um foco educativo, a criação desse projeto de lei sempre será o fortalecimento da cultura da identidade, pra que possamos enaltecer tudo que ainda permanece até hoje, seja na gastronomia, nas vestimentas, na dança. Nossa cultura ajuda a fomentar a economia de nosso estado e estou muito feliz em comemorar dentro desse espaço da Assembleia Legislativa que, mais uma vez, abriu as portas para que celebrássemos esse momento tão importante”.

Para o secretário de Relações Internacionais e Comércio Exterior do estado, Lucas Abrahao, a compreensão de que as relações entre Brasil e África são relações entre irmãos, é muito significativa para que haja um entendimento na sociedade amapaense de que somos também africanos na nossa história e na nossa tradição. ”Precisamos entender que somos muito africanos sim, o nosso marabaixo, o nosso batuque, a nossa culinária, nosso município de Mazagão, tudo nos remonta a esse passado que nos trouxe essa herança. Exatamente por isso precisamos ainda mais, em especial um dia após um atleta brasileiro reconhecido internacionalmente sofrer tanta discriminação, entender que o preconceito racial não poupa ninguém e a melhor forma de combater isso é através da educação e com políticas públicas, ações afirmativas que preservem e combatam atitudes tão cruéis e injustas”, disse ele.

A coordenadora executiva do Fórum de segurança alimentar e nutricional dos povos tradicionais de Matriz Africana (Fonsapotma/Amapá), a yalorixá mãe Carmem de Oyá relembrou a resistência há tantos anos arraigada na sociedade em relação às religiões de matrizes africanas. ”Nós, potmas, somos referência dos povos de matrizes africanas no Amapá; devemos ser uma vitrine para outros estados, a fim de que eles também façam o que for preciso para que possamos, de certa forma, ser reparados por tudo que já sofremos com o preconceito e a violência à nossa religiosidade. A semana da África nos fortalece e, chegar onde chegamos, nos espaços de poder, mostra toda a nossa força e luta pelos nossos direitos”, assegurou.

A representante da república democrática do Congo, país africano que vive uma guerra civil há décadas, Joyce Visi Bobesse, é fundadora e presidente da associação sem fins lucrativos ”Solidariedade aos Povos Indígenas da Bacia do Congo”; para ela esse encontro é muito importante por reforçar o movimento negro e a luta por seus direitos. ”Sou da república democrática do Congo e há 20 anos, enfrentamos um conflito onde mulheres são estupradas e muitas mortas; aqui no Brasil há descendentes e afrodescendentes lutando por sua dignidade, apesar de todo sofrimento dos povos negros em todo o mundo. Há uma luta que não foi abandonada porque existe uma união em torno de algo ainda maior por igualdade, reconhecimento e valorização de nossa história e de nossas raízes”, reconheceu.

A solenidade contou ainda com a presença de Josephine Egalgi, vice-prefeita de Remire- Montjoly, na Guiana Francesa, o presidente da Academia de Batuque e Marabaixo do Amapá, Raimundo Sacaca, 2º vice-presidente do Tribunal de Contas do Amapá, conselheiro Paulo Roberto de Oliveira Martins, deputada estadual Edna Auzier que preside a Comissão de Relações Exteriores da Alap, Nuno Coelho, presidente dos Agentes de Pastoral Negros, Celestin Degnide, supremo evangelista africano e demais autoridades.

FOTOS: Olavo Reis e Heider Torres – Dircom/Alap

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