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quinta-feira, 12 de março de 2015

“Queremos que as pessoas utilizem os barcos com segurança, tentando evitar acidentes”

Lúcio Ribeiro. O capitão dos portos do Amapá faz uma avaliação das últimas operações de fiscalização dos rios do AP.
De fala mansa, mas contundente na missão de patrulhar os rios da parte oriental da Amazônia brasileira, o capitão dos portos do Amapá, Lúcio Marques Ribeiro, concedeu entrevista ontem ao programa Conexão Brasília, pela Diário FM. Foi no fechamento da Operação Amazônia Azul, que levou também ações cívico sociais aos ribeirinhos. Nessa conversa com o jornalista Cleber Barbosa, ele fez um balanço da operação que contou com navios e com o reforço de militares de Belém, além de representantes de diversas agências federais e estaduais ligadas ao aparelho da Segurança Pública e do Meio Ambiente. Ele pondera que embora a Marinha possua uma missão operacional de garantir a presença do estado brasileiro na costa, é dever subsidiário garantir a segurança da navegação nos rios da região.

Cleber Barbosa
Da Redação

Diário do Amapá – Comandante, a operação Amazônia Azul está encerrando suas atividades neste fim de semana. É isso?Lúcio Ribeiro – Exatamente. A operação começou no dia 2 deste mês e tivemos ações até hoje (sábado) de madrugada. Agora pela manhã os navios que estavam operando conosco, do Grupamento de Patrulha Naval do Norte, começaram a retornar para Belém e vamos agora computar os dados finais dessa operação que foi muito positiva não só aqui para a nossa área, nossa região, como para todo o Brasil, já que é uma operação a nível nacional onde toda a marinha foi envolvida.
Diário – A área de abrangência da operação envolvia todo o mar territorial brasileiro?
Lúcio – Isso, todas nossas águas jurisdicionais. Não só o mar territorial, a plataforma continental que é nossa Amazônia Azul, como também os interiores, todos os rios, lagos, enfim a Marinha se fez presente junto com outros órgãos que nos apoiaram, como o Ibama, a Polícia Federal, a Receita Federal e órgãos de Segurança Pública, além de diversos outros órgãos e a Força Aérea que nos apoiou também.
Diário – A gente sabe que a Marinha age no binômio operacional e também administrativo, como na segurança da navegação, então essa operação tinha qual caráter especificamente Comandante?
Lúcio – Essa operação foi justamente isso aí, ou seja, fiscalizar o cumprimento das leis e regulamento das nossas águas além de combater diversos ilícitos que estavam ocorrendo nesse mesmo período. Ao mesmo tempo a Marinha testou e fez vários exercícios operacionais a fim de efetivar o seu sistema de comando e controle que é utilizado em grandes eventos em nosso país, como exemplo ano que vem nós teremos as Olimpíadas. Também tivemos ações cívico-sociais em todo o Brasil, com atendimentos médicos e odontológicos, como fizemos em Santana, assim como ações de cobertura de eixos de embarcações com a instalação dos kits [contra o escalpelamento] além da fiscalização.
Diário – Bem essa não é a primeira e certamente não será a última ação de fiscalização, então com a sua experiência Comandante, viu alguma ocorrência que tenha lhe surpreendido nesses dias?
Lúcio – Nós tivemos uma surpresa que podemos dizer agradável, muito positiva. Apesar de nós termos um grande número de embarcações apreendidas, foram 16 no total, podemos observar um aumento da conscientização dos usuários dos nossos rios a respeito da utilização do colete salva-vidas, além de um número menor de ocorrências do que registramos na operação Amazônia Azul do ano passado. Isso é sinal de que está havendo uma maior conscientização e uma maior preocupação dos proprietários e comandantes de embarcações em mantê-las inscritas de forma regular na Capitania e os tripulantes todos habilitados a bordo e tendo todos os itens de segurança sempre à disposição de todos os passageiros.
Diário – Nessa questão de contar com a participação de outras agências, a Marinha dispõe de informações a respeito da elevação do nível das águas dos rios da nossa região, pois alguns estados amazônicos vêm registrando enchentes e alagamentos?
Lúcio – Na Capitania nós recebemos muitas informações vindas principalmente do 4º Distrito Naval, mas também do 9º Distrito Naval que fica no Amazonas, onde estão os piores problemas em relação a enchentes, então com forte atuação da Marinha. Aqui também estamos acompanhando através da Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha, com suas previsões meteorológicas para tentar se antecipar caso haja algum tipo de problema e se colocar sempre à disposição da sociedade para ajudar no que for necessário.
Diário – Esse ano nós já tivemos a Operação Verão aqui nos rios da região, não é?
Lúcio – Inclusive a Operação Verão ainda está ocorrendo, pois a operação Amazônia Azul ocorreu em paralelo.
Diário – Já dá para adiantar alguns números do balanço dessa operação encerrada hoje (ontem)?
Lúcio – Nós tivemos 16 embarcações apreendidas, fizemos 70 notificações num total de quase 400 abordagens durante os 5 dias de operação. Além disso, os navios que estavam operando aqui em nossa área fizeram a apreensão junto com o Ibama de 6 toneladas de madeira e descobrimos um garimpo clandestino no rio Jari, numa ação conjunta com a Polícia Federal que resultou na prisão de 7 pessoas que trabalhavam lá. Nós também fizemos a apreensão de outra madeira irregular que não recordo a quantidade, assim como encontramos uma embarcação fazendo o transporte de 280 botijões de gás. A carga até que estava regular, tinha nota fiscal e tudo, mas a embarcação é que era totalmente inapropriada para fazer esse tipo de transporte. Tivemos que apreender esse barco e retirar toda a carga.
Diário – Algum caso de transporte de combustível?
Lúcio – Não, não encontramos nenhum caso. Teve apenas uma embarcação com vários carotes, mas estavam todos vazios.
Diário – E as reincidências Comandante? O senhor disse que o quadro geral melhorou, então dá para acreditar que a comunidade dos marítimos pode tomar essa consciência?
Lúcio – Não só acredito como acho que já está ocorrendo, pois houve um aumento considerável na nossa fiscalização em 2014 e que deve se intensificar agora em 2015 e justamente estamos tendo esse sentimento em nossas ações de inspeção naval já encontramos menos irregularidades. Agora mesmo observamos muito mais o uso do colete salva-vidas entre os passageiros e tripulantes graças a uma campanha que fizemos por meio de palestras e cursos nas diversas comunidades em que levamos essas informações. Esse ano queremos focar bastante nas escolas públicas para que a criança seja educada já com essa informação sobre a importância do colete, como os demais itens de segurança do barco e o eixo coberto, assim como observar a lotação e a regularidade da embarcação.
Diário – A gente precisa reconhecer que não é uma missão simples essa, em que pese a enorme área de jurisdição da Capitania do Amapá e um efetivo de pessoal relativamente pequeno para todas essas ações. Tem que ser forte heim?
Lúcio – A gente agradece esse reconhecimento, não só de vocês da imprensa como também da população como um todo, esse é o nosso maior prêmio. Vamos intensificar as ações, especialmente com a operação Verão que continua. Queremos que as pessoas utilizem os barcos com segurança tentando evitar o máximo possível os acidentes. 

Perfil...

Entrevistado. O capitão de fragata Lúcio Marques Ribeiro tem 44 anos de idade, é natural do Rio de Janeiro, é divorciado e pai de dois filhos. Formado Bacharel em Ciências do Mar, pela Escola Naval da Marinha, pertence ao quadro de Oficiais da Armada, sendo especialista em Máquinas. Foi declarado Guarda-Marinha em 1994, tendo servido em Organizações Militares da Marinha nos estados do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e, desde 07 de fevereiro de 2014 no Amapá, quando assumiu o comando da Capitania dos Portos do Amapá, em substituição ao Capitão-de-Fragata Carlos Rodrigo Neves de Oliveira. Sua última função antes da transferência para o Amapá foi na Diretoria Geral de Pessoal da Marinha do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro.

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