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*Divulgação da atividade parlamentar (Ato da Mesa 43/2009).

segunda-feira, 17 de junho de 2013

“O Judiciário do Amapá é o que mais se aproxima do povo em todo o país”

Mário Gurtyev. O ex-presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Amapá vai se aposentar na próxima terça.
Ele é um dos mais atuantes membros da Corte Estadual, um dos fundadores do Tribunal de Justiça do Estado do Amapá. O desembargador  Mário Gurtyev de Queiroz está prestes a completar 70 anos de idade, quando alcançaria o limite para o exercício da magistratura. Mas na véspera desse prazo, na próxima terça-feira, ele completará o tempo de serviço suficiente para se aposentar, sem ser atingido pela compulsória. Ontem, descontraído e olhando para o passado recente, ele concedeu uma entrevista por telefone ao programa Conexão Brasília, pela Rádio Diário FM. Falou de amenidades como o futebol e também do orgulho de pertencer a um dos judiciários mais respeitados do país.

Cleber Barbosa
Da Redação
Diário do Amapá – A notícia da sua aposentadoria marcou a semana no Judiciário local e ela acontece às vésperas do senhor completar 70 anos de idade, no limite para o exercício da magistratura. É a chamada aposentadoria compulsória?
Mário Gurtyev – É, só que como eu tinha tempo de serviço suficiente estou saindo um dia antes... [de completar 70 anos] Para não sair pela compulsória... [risos] No dia 19 eu já amanhecerei aposentado.

Diário – E durante a semana que passou, coincidência ou não, coube ao senhor presidir mais uma sessão do Pleno do Tribunal de Justiça, então teve que gostinho presidir essa que foi a sua última sessão?
Mário – Esse é um trabalho que eu sempre fiz com muito prazer, com muita dedicação. Foi uma coincidência realmente e foi muito gratificante para quem está fazendo as últimas atuações em uma atividade que exerce há 22 anos. Mas na terça-feira eu ainda presidirei uma [sessão] da Câmara.

Diário – Da Câmara Única da Corte Estadual é isso?
Mário – Sim, da Câmara Única, quando deveremos julgar uns 40 processos. Ocorre que o Dôglas [Ramos] é o presidente, mas está de férias, então preside o desembargador mais antigo e eu ainda sou depois dele o mais antigo, mas vou passar já, vai ser o Gilberto Pinheiro.

Diário – Nesses 22 anos de magistratura no Amapá o senhor presidiu o Tribunal de Justiça por duas vezes, é isso?
Mário – É, duas vezes e meia na verdade... Porque quando eu era vice-presidente o Edinardo [Souza] teve um período afastado, por sete meses se não me engano, então coube a mim naquele período presidir o Tribunal.

Diário – Agora que chega a hora de se aposentar é também o momento de olhar para trás e ver tudo aquilo que foi feito, então o que foi mais gratificante em ter integrado por 22 anos a Justiça do Amapá, que tanto se destaca em relação aos demais judiciários do país?
Mário – É uma memória de certa forma muito gratificante porque a gente percebe que tentou pelo menos, posso até não ter conseguido, mas tentei fazer o melhor e ajudar aos meus colegas, até porque num colegiado não se faz nada sozinho, mas ajudar aos meus colegas a construir essa Justiça que nós conhecemos bem, desde seu berço, do seu nascimento.

Diário – E como é essa Justiça que o Amapá tem atualmente?
Mário – Hoje nós temos um Judiciário consolidado, é um dos bons Judiciários do país. Isso ao final de 22 anos de atuação e de 40 anos do Judiciário nacional, afinal de contas são 29 anos de magistratura e 9 anos de servidor, portanto 38 anos de Judiciário. Ao momento que a gente se aposenta com uma soma de serviços que você acha que foram bem prestados é muito gratificante e já começa a dar saudades... [risos] Sem dúvidas a gente vai sentir saudades fiz aquilo com muito amor e com muita garra e com muita vontade de acertar. Sei e tenho consciência de que muitas vezes posso ter errado, mas com a convicção de que estaria tentando acertar.

Diário – Desembargador esse Judiciário que o senhor ajudou a construir ao longo de sua história foi tentando se aproximar cada vez mais da sociedade, estar presente no seu cotidiano. Esse o senhor diria que é o grande legado que magistrados como o senhor estão deixando para a sociedade amapaense?
Mário – Sem dúvida, eu tenho assim uma convicção pessoal de que o Judiciário do Amapá é o que mais se aproxima do povo em todo o país. Não posso dizer fora do país porque pouco conheço de judiciários internacionais, mas dentro do Brasil eu não conheço uma Justiça que esteja tão próxima, que esteja tão preocupada em cada vez mais se aproximar da população e cada vez mais prestar serviços bons à população do que a Justiça do Amapá.

Diário – O senhor ainda bate aquela bolinha na Associação dos Magistrados?
Mário – É, com muito sacrifício, mas eu gosto muito e ainda insisto... [mais risos]

Diário – Dizem que o senhor é um zagueiro que bate bastante...
Mário – Não, eu jogo com vigor, mas sem querer atingir o adversário. Quando atinjo é porque errei... [risos]

Diário – Pois é o time dos magistrados já percorreu vários estados do país em competições da Justiça e dizem que tem até um juiz que craque?
Mário – É o Marcos Vinícius Gouvêa Quintas, grande craque, grande craque.

Diário – Já que estamos falando de esporte, o senhor tem um palpite para o jogo de hoje [ontem] entre Brasil e Japão? A seleção do Felipão convence o senhor?
Mário – É uma boa seleção. Acho que tivemos um tempo grande remodelar e ficaram mudando muito, não insistiram com um time e hoje ficamos com um time de praticamente desconhecidos, convocados que não atuavam no país e nem eram conhecidos por aqui, mas que na última apresentação eu gostei muito contra a França. Não é porque ganhou de 3 a 0, é porque jogou bem. Poderia não ter jogado bem e não ter ganhado com um placar tão elástico, mas jogou bem. Acredito que está acertando, não vai fácil.

Diário – O senhor está hoje [sábado] em Brasília. Vai ao estádio ver o jogo do Brasil?
Mário – Sim em Brasília. Mas estive tão desligado de futebol que nem lembrei que ia ter o jogo aqui. Coincidentemente estou hospedado no mesmo hotel que a seleção do Japão, para meu desconforto, pois a gente não pode nem sair a vontade aqui na portaria porque é polícia para todo lado, por uma questão de segurança. Mas dá para ver que o time japonês é muito jovem e tem dois craques internacionais, que jogam no futebol inglês e no futebol francês, mas a seleção deles tem 14 outros jogadores que jogam em times de outros países, não tão craques quanto o Honda e o outro que joga na Inglaterra, mas que se destacam tanto que já são contratados por outras nações para jogar. Mas eu acho que vai ser 2 a 0 para o Brasil.

Diário – A gente então encerra prestando essa homenagem ao senhor pelo fato de estar concluindo essa etapa importante em sua carreira, com uma folha de relevantes serviços prestados à sociedade e à Justiça amapaense.
Mário – Eu que agradeço por essa homenagem com a convicção de que tenha sido útil à sociedade. Pelo menos eu procurei ser, isso é muito importante para a vida da gente. Muito obrigado.

Perfil
Entrevistado. Mário Gurtyev de Queiroz tem 69 anos de idade. Ele nasceu na cidade de Itaberava (BA) e bacharelou-se em Direito pela Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal (AEUDF), em dezembro de 1975 , em Brasília/DF. Pós-Graduado no Curso de Pós-Graduação Lato Sensu, com especialização em Direito Civil e Processo Civil, pela Universidade Estácio de Sá, 2000/2002, em macapá/AP. Foi professor e também servidor do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios. Ingressou em 1991 no Judiciário do Amapá, quando da instalação da Corte. Como desembargador assumiu por dois mandatos a Presidência do Tjap e também foi seu corregedor.

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