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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A volta ao Plantalto: Sarney de novo presidente do país

ESPECIAL / O Amapá teve esta semana, pela primeira vez, um senador do estado no posto político mais importante do Brasil, o de presidente da República

Ao povo. Tido como um dos mais populares mandatários do país, José Sarney queria discrição na interinidade. Na única aparição pública no Palácio, posou com integrantes de um coral comunitário da UnB.

CLEBER BARBOSA 
DA REDACAÇÃO


O senador José Sarney (PMDB-AP), que é o presidente do Senado Federal, assumiu esta semana interinamente da Presidência da República, fato inédito desde que ele e seu ministério desceram a rampa do Palácio do Planalto pela última vez como ex-mandatário do Brasil, há 22 anos. Mas o que era para ser apenas uma formalidade, um rito protocolar já que ele é o quarto na hierarquia da República, acabou sendo um fato histórico. Para entender, basta dizer que a precedência tem a presidente Dilma Rousseff como primeira, o vice-presidente Michel Temer o segundo e o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, o terceiro. Como os três estavam em viagens oficiais para fora do país, coube a Sarney assumir as rédeas do Planalto.

Telefonema - O presidente José Sarney devolveu o cargo à titular ontem (15). No seu primeiro dia de despachos no Planalto, na quinta-feira (13), recebeu os ministros Helena Chagas, da Secretaria de Comunicação, José Eduardo Cardozo, da Justiça, Marta Suplicy, da Cultura, e Ideli Salvati, das Relações Institucionais. O presidente em exercício também recebeu os senadores Francisco Dornelles (PP-RJ), Walter Pinheiro (PT-BA), Eduardo Braga (PMDB-AM), Renan Calheiros (PMDB-AL) e Eunício Oliveira (PMDB-CE). No final da tarde, José Sarney recebeu a visita da deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), presidente em exercício do Congresso. Por telefone, Sarney conversou com a presidente Dilma Rousseff, que está na Rússia.

Amapá - Mesmo com a visão macro que tem do país e de seus inúmeros problemas, Sarney também arrumou tempo para falar do Amapá durante sua volta à Presidência. Ele recebeu em audiência o presidente em exercício da Assembleia Legislativa, deputado Júnior Favacho (PMDB) e também integrantes da Bancada Federal, como os deputados Fátima Pelaes (PMDB) e Luiz Carlos Júnior (PSDB). Mais cedo ele já havia recebido em sua residência o coordenador da Bancada, deputado Evandro Milhomen (PC do B).
Em sua última atividade no Planalto como presidente interino, Sarney definiu como "grata surpresa" reassumir o cargo."Na minha vida eu tive que me preparar para muitas surpresas. Uma delas foi esta, de assumir a Presidência da República depois de 22 anos, substituindo a presidenta Dilma Rousseff nestes breves instantes", disse, depois da cerimônia de posse do novo secretário executivo do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Roberto Peternelli Júnior.

Ao assumir o posto de Dilma, fez elogios a ela


Eleito vice-presidente da República em 1985, com doença e depois a morte de Tancredo Neves, Sarney assumiu a Presidência e governou o país até março de 1990. A redemocratização do país, com fim da censura, legalização dos partidos comunistas, a retomada de relações diplomáticas com Cuba, união econômica e política dos países da América Latina – embrião do Mercosul – e a garantia de ampla liberdade de imprensa são marcas de seu governo.
Presidente do Senado pela quarta vez, Sarney é o terceiro na linha sucessória presidencial. Assim, assumiu a Presidência em razão de viagens da presidenta Dilma à França e à Rússia, do vice-presidente Michel Temer a Portugal, e do presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, ao Panamá, para participar de reunião do Parlamento Latino-Americano (Parlatino). Interino, delicadamente José Sarney aproveitou a cerimônia de transmissão do cargo para homenagear e elogiar a titular do cargo, Dilma Rousseff, “mulher extraordinária que hoje merece respeito nacional por suas qualidades, pelo governo que está fazendo”.

Cientista destaca que Sarney iniciou a transparência nas contas públicas


O senador José Sarney (PMDB-AP) reassumiu a Presidência da República depois de 22 anos. Discreto, tranqüilo e sem as ilusões dos neófitos, cumpre sua missão constitucional, como presidente do Senado, diante da ausência, em território nacional, da presidente, do vice-presidente e do presidente da Câmara. Fica até sábado. Mas o interessante é a repercussão nas mídias. Repórteres, colunistas, blogueiros e coisas afins, todos muito imaginativos, logo abraçaram as especulações sobre o que ele faria no período, de como se comportaria ou de como se sentia ocupando posição em que já ocupara no passado. Perguntas tolas foram dirigidas a ele sobre o assunto, sempre respondidas com a maior paciência e bom humor. Teve texto tão surrealista e hilário na especulação que se poderia pensar que Sarney poderia fazer uma verdadeira revolução nos três dias de ausência de Dilma. Alguns até brincaram com o fato de um cartomante mineiro - ou coisa parecida – ter previsto sua segunda passagem pela Presidência. Poucos aproveitaram o fato para fazer jornalismo de verdade, relembrando os aspectos positivos e negativos do governo Sarney ou sua importância para a transição democrática e a modernização da máquina pública.
Um assunto bom seria a transparência, tema preferido da imprensa para tentar estigmatizar Sarney nos últimos anos. Poderiam mostrar que foi na Presidência de Sarney (1985-1990) que se criou o Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI), que acabou com a “conta movimento” do Banco do Brasil e instituiu a Comissão de Defesa dos Direitos do Cidadão, apelidada pela imprensa de Ouvidoria, para apurar denúncias contra o próprio governo.

* Said Barbosa Dib, jornalista e cientista político.

Previsão de guru

O colunista Gilberto Amaral citou ontem a visita que o embaixador Jerônimo Moscardo fez a Sarney no Planalto. Os dois teriam lembrado quando o patriarca da Igreja Ortodo-xa Romena, o arquimandrita Teoctist, disse a Sarney; “V. Exª não só voltará no exercício da presidência do Brasil, como terá grande importância na vida pública do seu país".

Cerimônia

Como último ato de sua interinidade como Presidente da República, o senador José Sarney (PMDB-AP) deu posse ao general de divisão Roberto Peternelli Júnior, como secretário executivo do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, em substituição ao general de divisão Antonio Sergio Geromel, que foi para a reserva.

Oficialidade
Carro oficial com a placa "Presidente da República" conduz Sarney de casa para o Palácio do Planalto



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