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*Divulgação da atividade parlamentar (Ato da Mesa 43/2009).

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Marcos Pontes: “A profissão de professor é a mais importante”

ASTRONAURA – Marcos Pontes diz que qualquer país sério sabe valorizar a profissão do professor

Onde quer que ele ande pelo país é sempre recebido como um ídolo, uma celebridade. Na verdade o paulista Marcos Pontes é mais do que isso, é um verdadeiro herói e um “bom moço”. Isso mesmo, toda a sua trajetória para virar o primeiro astronauta brasileiro já virou livros, filmes, documentários e formatam uma palestra que é tida como uma das mais requisitadas para quem quer investir em si próprio, na busca pela excelência profissional e pessoal, e acaba de chegar a Macapá. Mas ele pretende fazer mais pelo Amapá. Ele pilota um projeto de sustentabilidade na Amazônia, em Roraima, que poderá transformar-se num modelo que o Amapá tem tudo para copiar e até aperfeiçoar. O astronauta brasileiro falou ao jornalista Cleber Barbosa pelas ondas da Rádio Diário FM e os principais trechos o Diário do Amapá pública a seguir.



CLEBER BARBOSA
DA REDAÇÃO


Diário do Amapá - (Por telefone) - Alô alô astronauta Marcos Pontes, Terra chamando, bom dia!
Marcos Pontes - Oi! [risos] Bom dia a todos vocês, é um prazer poder participar.

Diário - Seja bem vindo à Capital do Meio do Mundo, o senhor que é astronauta e sabe valorizar muito bem a nossa localização geográfica privilegiada a do Amapá, não é?
Marcos - É excelente, realmente um lugar bastante especial, principalmente se você pensar em termos de lançamento de foguetes, de espaçonaves para a órbita equatorial.

Diário - Se o senhor pudesse explicar didaticamente essa vantagem, tem a ver com pressão atmosférica ou alguma coisa assim, como funciona isso na Linha do Equador?
Marcos - É com relação à velocidade para se permanecer em órbita, a posição próxima do Equador sempre favorece isso devido ao raio maior da Terra o que acaba gerando uma velocidade inicial maior e você consegue atingir órbitas com menos uso de combustível, então isso significa uma economia considerável de combustível para lançamentos próximos ao Equador.

Diário - Daí então o motivo dos nossos irmãos da Guiana Francesa decidirem construir uma base de lançamento de foguetes lá em Kourou, o senhor conhece essa base?
Marcos - Eu conheço sim, assim como a base brasileira de Alcântara, onde tem um centro de lançamento e também tem essa característica que é a proximidade da Linha do Equador, que favorece bastante para lançamentos e agora com o aumento do uso comercial do espaço isso é bastante interessante para o Programa Espacial Brasileiro, a utilização de Alcântara como centro de lançamento para cargas brasileiras e de fora também.

Diário - Já que o senhor falou de Alcântara que infelizmente registrou uma tragédia, com perdas de cientistas brasileiros, sabe-se lá quanto tempo será necessário para o Brasil repor esses quadros que o governo brasileiro perdeu?
Marcos - É, esse foi um acidente ocorrido em 2003, quer dizer, já faz bastante tempo e essa questão de recursos humanos é um problema do Programa Espacial Brasileiro, sem dúvida nenhuma. Dentro do próprio Instituto de Aeronáutica e Espaço já foram perdidos vários profissionais por falta de reposição. O que eu quero dizer é que precisa ter concurso público para as diversas carreiras de pesquisadores e técnicos engenheiros dentro do Programa Espacial.

Diário - Existe alguma ação neste sentido?
Marcos - Essa é uma das coisa que a agência espacial brasileira tem trabalhado, mas lógico que existe a necessidade da interferência, digamos assim, de superiores para que a gente consiga realmente repor esses quadros e atender de forma satisfatória as demandas do Brasil dentro do Programa Espacial Brasileiro em suas atividades espaciais, pois para um país como o nosso isso é extremamente importante.

Diário - O fato dessa primazia do senhor, de ser o primeiro e o único astronauta brasileiro, o transformou num palestrante muito requisitado e até disputado, digamos assim. Mesmo assim o senhor arrumou uma brecha na agenda e veio a Macapá com mensagens até de autoajuda, como é isso?
Marcos - Sim, também é uma das minhas atividades. Eu gosto muito deste setor de palestras e cursos. Eu e minha equipe, eu não trabalho sozinho, a gente atende empresas, instituições, em cursos e palestras tanto na área motivacional, que também é minha área pois sou "coach", trabalho com desenvolvimento de pessoas, como também nas áreas técnicas. Na área de gerenciamento de projetos, gestão de riscos e também segurança operacional. Então a gente tem uma gama bastante interessante de cursos e palestras que a gente trabalha e que tento trazer profissionais que trabalham comigo, a minha experiência profissional, a minha experiência de vida para ajudar a empresas e instituições para aumentar a probabilidade de sucesso e formar melhor seus recursos humanos.

Diário - Atualmente qual é o sonho de consumo dos países que investem em pesquisas espaciais já que nos anos 60 e 70 tinha a rivalidade entre Estados Unidos e União Soviética, sendo que um enviou primeiro um astronauta ao espaço e o outro a pisar na lua. O que se quer hoje?
Marcos - Olha, dentro dessa área espacial, eu que fico em Houston à disposição do Programa Espacial Brasileiro, eu moro lá, e também em outras missões, inclusive eu espero em breve ser escalado para a segunda missão, mas isso para dizer que a gente vive um momento bastante interessante porque a pesquisa especial tem sido tocada há muito tempo pelo setor privado, então a maioria dos países inclusiva no Brasil, os Estados Unidos também, são entidades civis, isso é importante ressaltar, não tem nenhuma atividade militar ou bélica, tanto que a carreira de astronauta também é civil. Mas agora também tem sido tocado pelo setor público, nesse momento o setor privado tem crescido nessa área, com isso você vê o surgimento de empresas grandes nos Estados Unidos e em outros países, entrando nesse mercado, ou seja, a utilização mais comercial do espaço e lá a gente consegue o desenvolvimento de remédios, de novos produtos, aliás, o tempo todo a gente utiliza esse produtos, por exemplo, agora eu estou utilizando um telefone e falando por satélite aí com você.

Diário - O que mais?
Marcos - A observação da Terra é um fator extremamente importante para um país como o Brasil e se falando de região amazônica principalmente, também no sentido de preservação do meio ambiente e no sentido de controle de fronteiras, no sentido de melhorias na produção agrícola, enfim, a utilização de satélites é extremamente importante, tanto que aqui no Brasil, o Impe, uma instituição que trabalha com satélites, nós temos o único laboratório de observação dessa categoria na América Latina toda, então é uma coisa que o Brasil tem investido bastante e o país precisa investir ainda muito mais. O setor ainda sofre assim como outros, além de investimentos maiores interesses políticos e públicos dentro do nosso Programa Espacial, pois o Brasil participa dessa corrida espacial digamos assim, no sentido de se dar melhor qualidade de vida no planeta Terra.

Diário - O senhor também é professor, por que doar parte do seu tempo para essa atividade?
Marcos - Eu faço isso porque considero a profissão de professor a profissão mais importante que existe. Em qualquer país sério, o professor é o profissional que prepara todas as outras profissões, então não existiria qualquer profissão se não existissem bons professores.

Diário - O senhor recebeu inclusive em Macapá uma comenda da Assembleia Legislativa do Amapá, a Medalha do Mérito Educacional Comandante Annibal Barcellos. Como foi receber essa homenagem de iniciativa do presidente do Parlamento Estadual, o deputado Júnior Favacho?
Marcos - Ah, claro, foi muito emocionante para mim, com certeza, daí minha esperança de poder realizar um trabalho mais duradouro por aqui a partir dessa experiência com o Estado de Roraima. Entendo que os conceitos e projetos levantados lá poderão se encaixar na realidade daqui, afinal são dois estados praticamente vizinhos. Quero ajudar o Amapá a ser sustentável, com certeza.

Diário - E a medalha, vai guardar em casa?
Marcos - Na verdade eu lá levei para meu escritório e mostro com muito orgulho para as pessoas que me visitam diariamente. Tenho uma gratidão e um sentimento especial pelo Amapá desde essas duas últimas visitas.

Diário - O senhor viaja o mundo inteiro e até o espaço, claro, mas que características da sua Bauru o senhor não se desvincula, poderia ser o sanduíche inspirado no nome de sua cidade natal?
Marcos - [risos] É, pois é eu gosto muito de enfatizar a importâncias das raízes, você tem que ter orgulho delas, de onde você veio, quem você é realmente, pois o restante das coisas, o que você tem materialmente, o que você faz, títulos, o que as pessoas falam de você, essas coisas mudam ao longo da vida, então é importante que a gente não se identifica com essas coisas que são transitórias, mas sim com as nossas raízes, isso sim permanece dentro da gente. Eu tenho um carinho muito grande sim por Bauru, vou com frequência para lá, pois tenho irmãos que moram lá, assim como meus amigos de infância que eu costumo visitar sempre, é muito bom você ter esse senso de casa e eu acho que o carinho é retribuído pelo pessoal de lá da região, o que é muito bom você ter esse sentimento.

Perfil


O tenente-coronel aviador da reserva Marcos César Pontes nasceu em Bauru, interior paulista, em 11 de março de 1963. Torcedor do Santos, Pontes é filho do funcionário do Instituto Brasileiro do Café, Vergílio de Pontes e da funcionária da Rede Ferroviária Federal, Zuleika Navarro Pontes e casado com a potiguar Francisca de Fátima Cavalcanti e tem dois filhos. Ingressou na Academia da Força Aérea (AFA) e se tornou piloto de caça; depois decidiu prestar concurso público para o ITA (Instituto de Tecnologia de Aeronáutica), graduando-se engenheiro; fez Mestrado e Doutorado e acabou selecionado para o Programa Espacial Brasileiro, num consórcio com outros países. Foi lançado ao espaço em 2006 para trabalhar na Estação Especial Internacional. Ele permanece no programa e espera voltar ao espaço em muito breve.

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