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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Entrevista Sandro Bello: “O turismo pode ajudar a economia do Amapá”

TURISMÓLOGO – Sandro Barriga assumiu a gestão da Secretaria Estadual do Turismo do Amapá
O turismólogo Sandro Bello Barriga, técnico conceituado forjado nas academias, mas com boa bagagem acumulada no planejamento e na gestão de órgãos públicos do turismo, acaba de assumir a gestão da Secretaria Estadual de Turismo, a Setur, tendo de cara dois grandes desafios já cumpridos, um evento de gastronomia dentro da 49ª Expofeira Agropecuária e o Equinócio da Primavera. Mas seu trânsito e bom relacionamento no setor e no meio empresarial o deixam em uma condição de agregador para esse importante segmento econômico do estado. As impressões do novo secretário, o histórico da evolução do turismo e as reais chances do Amapá ter um incremento dessa atividade estão nesta entrevista concedida ao jornalista Cleber Barbosa, que o Diário do Amapá publica a seguir.

CLEBER BARBOSA

DA REDAÇÃO

Diário do Amapá - Quando surgiu o convite do governador para o senhor assumir a Secretaria de Turismo?
Sandro Bello - Na realidade esse convite foi em função da conjuntura política. Todos sabem que a Setur tem o comando do PT (Partido dos Trabalhadores), do grupo da ex-deputada federal Marcivânia (Flexa), e houve a necessidade da ex-secretária Helena Colares assumir compromissos da campanha política da professora Marcivânia, então esse convite se deu há cerca de um mês e meio.



Diário - O senhor é um técnico do setor que assumiu a Setur na condição de interinidade, mas que vem apresentando um volume de ações e uma mobilização que muita gente do meio já anda torcendo para que seja efetivado. Já percebeu isso também?
Sandro - Com certeza essa é a primeira vez que um técnico como eu assume um cargo de gestão de primeiro escalão, em especial na área do turismo. No meu ponto de vista, isso de certa forma faz a diferença porque você tem a oportunidade de empreender ações voltadas nos segmentos do turismo, ou seja, como nós sempre falamos, quem executa a atividade turística não é o Poder Público, ele é o fomentador, ele cria a infra-estrutura, os municípios trabalham na manutenção dos espaços públicos e o empreendedor e seus colaboradores que recebem o turista, que promovem a atividade turística, então seria de certa forma muito proveitosa a oportunidade de estar à frente de um órgão como esse.



Diário - O senhor compôs no primeiro escalão do prefeito Roberto Góes, em 2009, à frente dó órgão municipal de turismo, e agora forma no secretariado de Camilo Capiberibe, dois adversários políticos. Isso mostra que cargos como o seu exigem mais peso técnico do que propriamente político?
Sandro - Com certeza. Nós tivemos a oportunidade de estar compondo a Prefeitura no primeiro ano de gestão do prefeito Roberto Góes. Todos sabem que aquele foi um ano muito positivo para o município que teve a oportunidade de se transformar. Hoje se discute muito essa questão da parceria e a meu ver é importante a questão da parceria sim porque no órgão estadual de turismo promovemos as políticas de turismo, e isso de nada adiantaria. Se não tivéssemos a oportunidade de o município de Macapá ser o portal de entrada do turismo, essa política não seria implementada.



Diário - Como assim, secretário?
Sandro - Posso dar como exemplo o Congresso Brasileiro de Guias de Turismo, realizado aqui em Macapá, onde através da Secretaria Estadual de Turismo foi elaborado um questionário e distribuído a todos os cerca de 500 participantes de todos os estados brasileiros, sendo que apenas três unidades não participaram, e todos os pontos avaliados, relevantes ao município, a questão da limpeza, lixo e trânsito foi avaliado de forma muito negativa por esses turistas que estiveram presentes.



Diário - E como a Setur pode fazer deslanchar essas respostas?
Sandro - A questão de poder estar hoje no estado no meu ponto de vista também se deve a todo o trabalho que a gente vem realizando nesse setor de turismo, afinal pude entrar nesse setor em 2005, na Secretaria de Estado do Turismo e deparar-me com um quadro muito recente, muita coisa por fazer e nós tivemos a oportunidade, apesar dos pesares, de poder aplicar um pouco do nosso conhecimento na gestão pública do turismo quando naquele tempo a secretária de Estado do Turismo era a hoje deputada federal Fátima Pelaes. Nos deparávamos com um percentual de 0,01% do orçamento do Estado e mesmo assim pudemos realizar um trabalho para que milhares de pessoas que dependem dessa atividade pudessem ter um ganho maior através da gestão pública do turismo.



Diário - O senhor falou sobre o conhecimento técnico e o conhecimento científico que o senhor buscou através dos estudos, mas lá atrás, quando o turismo ainda era uma utopia muito maior do que é hoje, o que o motivou a escolher essa área profissional?
Sandro - Na realidade a questão do turismo se tornou um mote de campanhas passadas que muito chamou a atenção de jovens como eu naquele período após os conflitos bélicos ali no Golfo, com os Estados Unidos, no Oriente Médio. Após esse período o turismo despontou como primeira atividade econômica mundial e maior geradora de empregos, então em função disso me chamou muito a atenção a oportunidade de morar na Amazônia e poder através do nosso empenho e da nossa dedicação poder contribuir de alguma forma para a melhoria da qualidade de vida da população local. 



Diário - E o Amapá, como está neste contexto, afinal fala-se muito que ele tem muito potencial, mas que daí a ter produtos turísticos formatados e sendo colocados na prateleira para ser comercializados vai uma distância muito grande. Qual sua avaliação sobre isso?
Sandro - O Amapá, assim como outros lugares no mundo, acompanhou o crescimento do turismo a nível mundial. Posso dar aqui dados da Infraero, que de 2004 a 2010 houve um crescimento significativo no fluxo de pessoas aqui para o Estado do Amapá, seja no desembarque no aeroporto, seja na entrada de estrangeiros, seja na ocupação hoteleira local. Infelizmente questões de crises econômicas mundiais e questões de escândalos políticos locais fizeram com que boa parte das pessoas que vinham ao Estado do Amapá, pois basicamente o segmento que o Amapá mais recebe turistas é o segmento de negócios, essas pessoas optaram por outros destinos ao se deparar com o quadro que o Amapá se encontrava.



Diário - E hoje, como o setor reage?
Sandro - Nesse período nós registramos através das estatísticas que o Amapá volta a ganhar credibilidade junto ao cenário nacional e internacional como destino turístico, inclusive na realização de eventos. O Amapá tem possibilidades. Ele tem pontos negativos e pontos positivos do ponto de vista geográfico, nós somos praticamente um estado-ilha, que não possui acessos rodoviários com outros estados, contudo nós somos o portal de entrada da Amazônia para as grandes embarcações.



Diário - Daí o senhor apostar no chamado turismo de eventos?
Sandro - Sim, pois estamos às próximos a eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil e esse situação geográfica do Amapá é muito favorável em função até mesmo que a capacidade hoteleira do Brasil não irá comportar o público que virá para esses grandes eventos, daí o Amapá aparecer como opção neste cenário em função de que as pessoas possam adentrar na Amazônia através de navio e se hospedar embarcados mesmo. Como eu disse, o Amapá tem esse mote do turismo que são os negócios, além desse grande filé que vem crescendo no Brasil que são os eventos. O Amapá foi sede de um Congresso Brasileiro de uma categoria profissional, mas poderia ser outra categoria arquitetura, medicina, engenharia, enfim, mas foi uma categoria profissional na área do turismo. Eventos como esse segundo a Associação Brasileira de Convention Boreau existem cerca de 5 mil eventos no Brasil consolidados, que estão acima da sua décima edição e que o Amapá pode estar fazendo estudos para captar eventos de pequeno e médio porte que geram impacto em torno de R$ 1,5 milhão só na realização aqui em Macapá.



Diário - E o fato de ser o Amapá o Estado mais preservado do país, em que pode ajudar no incremento do turismo?
Sandro - Esse é outro segmento que também foi muito discutido, muito citado, muito falado, que é o segmento do ecoturismo, em função de todo o potencial de conservação que o Amapá tem, mas que também precisa de uma grande injeção de infraestrutura para que possa receber bem esse turismo e fazer com que esse empresário tenha segurança para fazer investimento nesse segmento. 



Diário - Por falar em eventos o senhor assumiu a Setur às vésperas de um grande evento e que acabou saindo em grande estilo, que foi o Equinócio da Primavera, não é mesmo?
Sandro - Com certeza, mas nós também estivemos na execução de outro grande evento anterior a esse, que foi na 49ª Expofeira, o Festival Gastronômico de Peixes do Mar, uma grande parceria com a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) e com a Pescap (Agência de Pesca do Amapá), no qual colocamos à disposição através do subsídio do Governo do Estado, cerca de 4 toneladas de pescado oferecendo a todas as classes, A, B, C e D a possibilidade de consumirem um prato no valor popular de R$ 5 e feitos pelos maiores chefes de cozinha do Amapá. 



Diário - E depois veio o Equinócio?
Sandro - Foi outra grande programação em que pudemos divulgar o Amapá de forma positiva para o Brasil e para o mundo através do desafio de vôlei, o Red Bull Latitude Zero, além de um mini Rally fantástico executado pelo Jeep Clube de Macapá que chamou a atenção das pessoas que passavam pelo Meio do Mundo. Vale ressaltar que infelizmente nós não pudemos divulgar esse evento em função de uma liminar judicial, mas chegamos a receber um grande público, pois chegamos a divulgar esse evento em outros estados há cerca de quatro a cinco meses.

Perfil

O entrevistado Sandro Bello Barriga nasceu em Breves (PA), região das ilhas do Pará que são vizinhas a Macapá. Mudou-se ainda criança para o Amapá onde bacharelou-se em Turismo pela Faculdade Seama (2005) e em Ciências Sociais, pela Universidade Federal do Amapá (2006); Fez pós graduação em Gestão Hoteleira pelo Iesap e em Ciências Políticas pelo IBPEX/Uninter e Mestrado em Planejamento em Desenvolvimento, pelo NAIA/UFPA. Atuou na iniciativa privada e em 2009 assumiu a Coordenadoria Municipal de Turismo de Macapá; também prestou assessoria na Secretaria Nacional de Políticas do Turismo, órgão do Ministério do Turismo; no mês passado assumiu interinamente o comando da Secretaria Estadual do Turismo.

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