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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Lutador de MMA John Macapá abre o jogo em entrevista ao site Tatame

Por Erik Engelhart

Integrante do TUF Brasil, John Macapá acabou não chegando a final do programa, mas sua participação na casa não pode ser desprezada, já que o peso pena proporcionou excelentes combates. Apesar de ter sido derrotado no UFC BH, Macapá vem colhendo os frutos de sua passagem no Ultimate e o ex-pedreiro, taxista e segurança, finalmente já consegue viver somente do MMA. John vem passar uma temporada na academia Nova União, no Rio de Janeiro e sua intenção é ficar. Confira abaixo uma entrevista exclusiva com o lutador e entenda porque ele quase morreu antes de entrar no TUF Brasil.

Você é nascido e criado em Macapá? Como foi sua infância?
Sim, nasci e fui criado no Macapá. Todos puderam assistir no reality show, o TUF, que eu tive uma infância bem difícil. Geralmente, 50% dos brasileiros têm, que é a convivência com os pais, a separação dos pais.

O que você gostava de fazer antes de conhecer a luta?
Gostava muito de jogar Capoeira lá no meu bairro e trabalhei como segurança, pedreiro, taxista e um monte de outras coisas.

Então o seu primeiro contato com artes marciais foi pela Capoeira?
Meu primeiro contato com as artes marciais foi na Capoeira. Em seguida eu fiz escolinha de Futebol, mas a minha paixão mesmo sempre foi a arte marcial. Conhecei a Capoeira a partir dos 15 anos, quando eu comecei meus primeiros passos nas artes marciais. Logo em seguida, a partir de uns três a quatro anos, eu migrei para o Jiu-Jitsu.

Como você conheceu o Orlando? Ele é seu mestre até hoje?
Meu primeiro mestre e até hoje é o Orlando. O conheci através de um amigo de Capoeira também, que me apresentou. Fomos convidados para fazer algumas aulas de Jiu-Jitsu. Eu tinha uns 18, 19 anos. Em seguida, a gente construiu uma relação muito boa de amigos, que hoje eu já nem o chamo de mestre, chamo de pai. Ele foi o cara que sempre esteve do meu lado nos bons e nos momentos difíceis. Logo em seguida, depois de um ano de treinamento, migrei para o MMA, fiz a minha estreia. Finalizei no arm-lock, que é a posição que até hoje eu mais gosto, sinto mais facilidade em fazer.

É a sua especialidade?
É a especialidade da casa o arm-lock, só que eu também costumo finalizar em algumas outras posições. Logo em seguida fiz outras duas lutas e assim fui dando mais atenção ao MMA, largando mais um pouco o Futebol, a Capoeira e até hoje já participei do reality show The Ultimate Fighter, graças a Deus.

Como foi a sua experiência na casa? 
Os testes foram muito bons. Graças a Deus, eu passei em todos. Fui para São Paulo, depois em seguida fui para o Rio, que foi a primeira luta. Foi um pouco difícil para mim porque lá estava só eu. Eu tive que conviver, escutar pessoas que eu nunca tinha convivido. Fui sozinho daqui, então foi um pouco difícil no começo, mas graças a Deus deu tudo certo. Não me consagrei o campeão da categoria no reality show, mas o reconhecimento foi muito melhor do que se eu tivesse ganhado. Sou bem aceito onde eu chego hoje, tanto no Brasil como fora.  

O pessoal te reconhece?
Com certeza. O povo, principalmente aqui na minha cidade, me conhece muito. Onde eu chego é aquele assédio bom de fãs.

Como fazer para manter o foco com tanta novidade na sua vida?
Com certeza a gente tem que manter 100% do foco onde a gente almeja. Não tenho vícios.

Mora com seus pais?
Moro com minha mãe ainda, a dona Jacira.

Ela te apoia desde o começo?
Minha mãe logo no começo não aceitou, mas depois que ela viu... Geralmente a mãe não quer ver o filho sofrer, levando pancada e essas coisas, mas graças a Deus ela evoluiu o pensamento dela e viu que o MMA é um esporte que está crescendo rapidamente e que, em alguns anos, vai superar até mesmo o futebol.

Como está o crescimento do MMA no Macapá?
Aqui na minha academia tem outros atletas que estão despontando no Brasil, no MMA, e, se Deus quiser, daqui um tempo estarão fora do país lutando.

Você pensa em morar fora do país?
Com certeza fazer um camp fora do país, de preferência nos Estados Unidos, onde o esporte é muito mais reconhecido que aqui no Brasil, que é uma verdade meio triste dos brasileiros.

Quando você começou no Jiu-Jitsu, podia imaginar que chegaria a esse patamar?
Com certeza não imaginava chegar. Eu comecei a treinar só pela vontade mesmo, pela paixão pelas artes marciais. Nunca imaginava que ia chegar onde cheguei. Sou o atleta de MMA da minha cidade que já foi mais longe, mas, se Deus quiser, vão ter outros que vão chegar muito mais longe e vão trazer muito orgulho para a nossa cidade, que é um pouco esquecida no extremo norte do país.

Já deu para ter um retorno financeiro? Está ajudando a sua mãe?
Isso contribuiu muito para o meu crescimento e para a minha família. Eu já consigo viver da luta há mais de um ano, bem tranquilo. Já consegui bens. Não muitos, mas os essenciais para viver bem, viver saudável e a gente vai almejando melhorar mais e mais.

Quais são seus próximos objetivos de vida? Está com quantos anos?
Estou com 25 anos. Almejo ter mais futuro, conseguir títulos para o meu estado, continuar sendo bem reconhecido e levantar o meu nome e o nome da minha equipe para o todo o Brasil.

Quando você não está nos tatames, o que você gosta de fazer para distrair a cabeça?
Quando eu não estou nos tatames, eu estou em casa. Gosto muito de ficar trancado no meu quarto assistindo (luta), buscando informação na internet do esporte. Procuro sempre estar bem informado no mundo do MMA e até mesmo curtir um pouco de lazer, o fim de semana com a família, namorada, amigos. Isso é essencial na vida de um atleta.

É verdade que você quase morreu em um treino de sparring antes de entrar na casa?
Sim. Eu estava fazendo um treino de sparring em um final de tarde lá na academia e eu levei uma joelhada na região abdominal. Na realidade não valia joelhada nesse treino, mas não hora lá o rapaz no calor da situação acabou soltando uma e eu não estava nem esperando e pegou quando eu estava relaxado. Eu senti aquela falta de ar, mas nada de anormal, parei uns dez segundos para me recuperar e depois ainda treinamos mais meia hora. Eu comecei a sentir uma ardência no peito, um cansaço, mas fui para casa normalmente, com um pouco de dor e dificuldade de respirar. Jantei, relaxei um pouco na minha cama e quando foi por volta de 20h eu voltei pra academia, pois estava com vontade de treinar. No caminho pro treino, aquela dor começou a aumentar e eu decidi nem treinar mais.

E depois o que aconteceu?
Jantei e fui dormir por volta de meia noite e no dia seguinte acordei passando mal e vi que a coisa estava séria já que eu não estava conseguindo nem levantar da cama. Tentei caminhar, dei alguns passos e desmaiei no corredor da casa. Acordei e deitei novamente na cama, senti muita dor e fiquei esperando minha mãe acordar para avisar a ela. A dor chegou a um nível insuportável, parecia que tinham arrancado algum órgão meu. Quando mamãe acordou eu saí em direção dela e desmaiei novamente, acordei novamente nos braços dela e não conseguia mais segurar a vontade de fazer xixi, de fazer cocô e fui levado para o hospital. Lá, fizeram um ultrasson e viram que eu estava com hemorragia interna e eu tive que fazer uma cirurgia de emergência. Disse aos médicos que eles não iriam abrir minha barriga, pois eu estava próximo de fazer uma luta, mas passei mal novamente na frente do médico e vi que a coisa estava feia. Entreguei minha vida nas mãos dos médicos e de Deus e quase fui dessa para uma melhor, só estou vivo hoje devido a resistência dos meus órgãos.

Como está o reconhecimento depois de participar do TUF?
Graças a Deus hoje em dia estou sendo reconhecido pelo meu trabalho, porque antigamente as pessoas achavam que eu era marginal, mas através do TUF essa visão está sendo mudada e as pessoas estão vendo a gente como um profissional e o MMA como um esporte.

É verdade que depois disso você foi rejeitado pelos promotores de eventos?
É verdade, os promotores da cidade não me aceitaram em seus eventos com medo de eu morrer e eu fiquei meio triste, de cabeça baixa, mas continuei treinando. Até que eu consegui uma luta no Pará e fui bem nocauteando o Guilherme Kyoto e as portas se abriram e eu consegui participar do TUF.

Você pensa em vir treinar em um grande centro fora de Macapá?
Estou indo para o Rio de Janeiro e farei um treino na Nova União. Chego sábado (8).

Fique à vontade para deixar um recado para quem você quiser.
Quero agradecer primeiramente a Deus e a vocês, da TATAME, que vieram prestigiar um pouco o meu trabalho aqui e da minha cidade, que é um pouco quente (risos). Bastante quente, mas é uma característica aqui do estado. O extremo norte é o calor e com certeza é esse calor do meu povo, da minha equipe e da minha família que fizeram eu chegar onde cheguei para eu poder buscar lugares maiores ainda e títulos também. Já quero convidar a todas as pessoas amantes das artes para participar de uma aula de MMA. Pode ser na minha academia ou em outras academias, mas que pratique esporte porque faz muito bem para a saúde.

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